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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Por que os anjos têm asas?

Conheça um pouco mais esses pequenos seres que habitam nossa imaginação e fazem a ligação entre o céu e a Terra



Os anjos não são seres que têm um corpo físico, como os pássaros, que realmente precisam de asas para voar. Então, por que os imaginamos dessa maneira? E como eles conseguem nos elevar nesses dias tão difíceis? Pedi ajuda a um rabino amigo muito querido e ele me levou a uma aventura rabínica clássica, conhecida como midrash, em que histórias bíblicas são recontadas com alguns detalhes acrescentados pela imaginação do narrador. No midrash do rabino Rami, os anjos não são retratados como mordomos particulares que conseguem encontrar chaves de carro perdidas. Em vez disso, eles oferecem uma estrada de coragem e amor, conhecida como o “caminho angelical”. Por que os anjos têm asas? Porque “asas” nos remetem ao voo, à fuga e à transcendência. Os anjos têm asas porque os imaginamos atravessando a distância entre o céu e a Terra, uma distância que também é imaginária. Enfim, os anjos têm asas porque você e eu precisamos que eles as tenham. Então, os anjos são meras invenções de nossa imaginação? Não existe nada de “mero” em relação à imaginação. A imaginação é o modo como trabalhamos com mitos, metáforas, parábolas, poesia e charadas – a base da espiritualidade e da religião. A imaginação é o modo como fazemos arte, música e até amor. É nossa maneira de transitar entre os níveis de consciência, partindo de uma visão limitada – ligada a um eu isolado – até chegar à visão ampliada – consciente da interdependência de todos os “eus” (em Deus, com Deus e como Deus) – , a origem e a essência de toda a realidade. A imaginação é o modo como nos transformamos e transformamos o mundo em que vivemos.


Isso significa que os anjos não são reais? Para responder a essa pergunta, faço uma distinção entre “real” e “verdadeiro”. Uma coisa pode ser verdadeira sem ser real. Quando Jesus ensinou a parábola do Bom Samaritano, estava dizendo a verdade sem, necessariamente, se referir a um samaritano real. Os que o ouviam entenderam, por isso ninguém interrompeu a história para perguntar o nome do samaritano, para onde ele se dirigia, nem se ele tinha emprego, mulher ou filhos. Todos sabiam que a verdade da parábola não tinha nada a ver com a realidade dos personagens.


O que há de verdadeiro nas parábolas de Jesus é verdadeiro em grande parte da Bíblia. A Bíblia fala à imaginação na linguagem da imaginação: parábolas, poesia, sonhos e mitos. Os anjos são mensageiros místicos (angeloi, em grego, e malak, em hebraico) que habitam a imaginação, nos tiram da alienação, nos integram e depois nos devolvem à Terra para que possamos continuar esse trabalho de inclusão no mundo.


Texto • Rami Shapiro

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